Pós-parto do coração

Adoção em pauta: Tenho filhos, não tive gravidez – por Gilmara Lupion

Nesse meu aprendizado sobre maternidade e adoção aprendi que filho por adoção é filho é pronto! Aprendi que dizer da condição de adotado dos nossos filhos é algo que só deve ocorrer quando oportuno ou necessário. Ou seja, não há necessidade de dizermos o tempo todo: “Meu filho é adotado”. E sim dizermos simplesmente “É meu filho”. Como aprendi recentemente em uma palestra sobre adoção nossos filhos ‘foram’ adotados e não ‘são’ adotados, afinal na certidão de nascimento nada consta sobre a forma de filiação, apenas os nossos nomes como mães e pais.

Não estou dizendo que devemos fazer da adoção algo sigiloso, um tabu… Não, ao contrário, devemos falar desde sempre para nossos filhos da sua condição de adotado, dizer para eles e para a sociedade que adoção é uma forma de filiação, aliás, uma linda forma de nos tornarmos pai, mãe e filhos. Devemos ajudar na construção de uma cultura adotiva, de modo que a atitude adotiva se faça cada vez mais presente em nossas vidas.

Como a maioria das mulheres periodicamente faço meus exames médicos, dentre eles, a ultrassom solicitada pelo meu médico ginecologista. No entanto, na clínica para a realização do exame, cumprindo o protocolo a atendente faz a seguinte pergunta: Tem filhos? Tal pergunta me incomoda, porque sei que como se trata de um exame médico, a informação que ela precisa é se tenho filhos biológicos, logo, a minha resposta deveria ser “não”. No entanto, me sinto mal, como se tivesse negando a existência dos meus filhos… Dessa forma digo “biológico não”.

Imagem: www.injuryhelpline.com

Imagem: www.injuryhelpline.com

Incomodada no meu último exame, perguntei a médica que me atendeu o porquê da pergunta pela atendente, à mesma prontamente me respondeu que a pergunta tem por objetivo auxiliar o médico no diagnóstico do exame, no que se refere ao tamanho do útero. Pois, o tamanho do útero de uma mulher que teve uma gestação e de uma mulher que não teve é diferente. Relatei a médica sobre o meu incomodo quando questionada: tem filhos? Sabiamente ela me respondeu: “Na verdade o que se precisa saber é se você teve gravidez. Dá próxima vez que te perguntarem responda: Sim, eu tenho filhos, eu não tive gravidez”.

Adorei a dica! É por isso que resolvi compartilhar essa experiência com outras mães por adoção, que por acaso tenham vivenciado essa mesma situação, de sentir-se incomodada em dizer da condição de adotados dos seus filhos a uma pessoa desconhecida, ou então, de ter omitido a existência deles respondendo, simplesmente “não”.

Gostei da orientação da médica, achei a resposta perfeita, uma forma de lidarmos e bem com a situação. Mas, defendo também a ideia de que precisamos construir uma cultura da adoção, ou seja, os profissionais da saúde precisam de capacitação em serviço que lhes oriente sobre esse tipo de abordagem, substituindo a pergunta: tem filhos? Por: teve alguma gestação? Respeitando assim as diferentes formas de exercer a maternidade, em especial, a formada pela via adotiva. 

Gilmara Lupion Moreno

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Gilmara Lupion

Gilmara Lupion

Meu nome é Gilmara. Sou grata a Deus e aos meus pais (in memorian), pelo dom da vida, pelo amor incondicional. Sou londrinense, nasci e resido em Londrina-PR. Sou casada, vivi a experiência de encontrar o meu esposo através da fé e tenho certeza de que ele foi obra de Deus em minha vida. Sou mãe por adoção de uma menina carismática e de um menino simpático, ambos ‘guerreiros’, decididos a viver, amar e ser amados, também obra de Deus em minha vida. Sou membro do Grupo de Apoio à Adoção Trilhas do Afeto. Sou Pedagoga, Professora Universitária, trabalho com a formação de professores de crianças de zero a cinco anos, pois acredito que, assim como a família, a educação infantil é fundamental nesta etapa da vida - a infância.

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