Psicologia & Adoção

Quando desacelerar é preciso

Você lembra o que almoçou ontem? Lembra que roupa seu filho estava vestindo hoje pela manhã? Lembrou de ligar para sua mãe? Você lembra qual foi a última vez em que não tinha que se preocupar com nada? Se você respondeu não à maioria dessas perguntas, não se preocupe, você não está só!

O mundo está andando em uma velocidade assustadora. Os dias passam voando, o natal já está chegando de novo e você passou o ano cheia de compromissos e pouco tempo de folga. Você precisa administrar a sua rotina e a de seus filhos. É horário de trabalho, escola, inglês, natação, ginastica olímpica e futsal. Quando se dá conta passou mais tempo se preocupando com compromissos e horários a cumprir do qualquer outra coisa. Mas isso é normal, a vida de todo mundo está assim! Pois é, mas não deveria.

Você já ouviu falar em slow parenting? Slow Parenting é um movimento mundial que busca recuperar o ritmo “normal” das coisas, respeitando a conexão entre pais e filhos e a vida familiar. Ele vem com a proposta de desacelerar a rotina, principalmente a das crianças, de maneira que se possa ter mais tempo livre.

O mundo está cada vez mais conectado, a internet acelera tudo, o mercado de trabalho está cada vez mais acirrado e o mundo exige mais de todos. Acompanhar tudo isso dá trabalho e exige esforço, mas até que ponto é saudável viver uma vida nesse ritmo? Sim, seu filho precisa aprender inglês, se exercitar, ter amigos e iniciar um bom currículo, mas isso precisa ser aos 3 anos de idade? Ele realmente precisa de tudo isso agora? Pare e pense sobre isso.

Nós adultos estamos acelerando a vida de nossas crianças sem perceber o mal que podemos causar. Uma criança cheia de compromissos, com uma agenda tão lotada que não sobra tempo pra nada não está se preparando para o futuro, está adoecendo. O brincar é essencial para criança, pois é a forma uma das formas de construir conhecimento sobre o mundo. É através da brincadeira, da fantasia que ela passa a se conhecer e conhecer o meio que a cerca. Não permitir que seu filho tenha tempo suficiente para brincar é priva-lo de uma fase importantíssima de amadurecimento.

Uma criança que desde muito nova tem muitos compromissos a cumprir já pode experenciar desde cedo sensações como: ansiedade, baixa auto estima, estresse, cobrança excessiva, entre tantas outras coisas que ela poderia conhecer um pouco mais tarde. Encher seu filho de atividades não é prepará-lo para o mundo adulto e sim colocá-lo num mundo no qual ele ainda não tem estrutura para lidar.

Duas grandes dicas para saber se as atividades de seu filho estão adequadas para sua idade é observar se ele fica muito cansado no final da semana e se sobra tempo para o convívio familiar. E isso serve para os adultos também, pois o convívio familiar é muito mais importante para seu filho do que qualquer curso que você possa oferecer. É no convívio familiar que se cria o diálogo, a confiança e o carinho. Se nem você nem seu filho tem tempo para desenvolver essa relação é hora de desacelerar. Lembre-se que esse tempo não volta e o que você proporciona para ele hoje, será a base pro adulto de amanhã.

Então se você também acha que a vida está muito acelerada e sem tempo para nada, aqui vão algumas dicas para diminuir o ritmo:

  1. Tenha algum espaço livre na agenda. Ou melhor, livre-se dela em alguns dias da semana.

  2. Escute o que seu filho tem a dizer. Pergunte o que ele gosta de fazer. Acredite se ele disser que está cansado demais. Deixe que ele escolha alguma atividade para sua rotina.

  3. Tenha momentos de tédio. Isso mesmo. O tédio pode ser um grande estimulador de criatividade. Aliás, estimule a criatividade das crianças, isso sim gera grandes aprendizagens para vida toda.

  4. Criem momentos de ócio familiar. Pode ser um filme em frente a televisão, um jogo, cozinhar, enfim, qualquer coisa que você não tenha que sair correndo para não chegar atrasado.

  5. Lembre-se que o tempo não volta. Reflita se é da forma como você vive que você quer continuar vivendo. Sempre há tempo de mudar!

É isso pessoal, parar para refletir como anda a nossa vida é sempre útil. Dúvidas, críticas, sugestões e pitacos fiquem à vontade para deixar aqui nos comentários!Até a próxima!

Lívia Oliveira

Psicóloga (CRP 07/18713) formada pela PUCRS, com formação em Psicoterapia Humanista (Ser & Existir – Centro de Estudo da Pessoa/RS).  Atua na área da Psicologia Clínica atendendo individualmente a crianças, adolescentes, adultos e terapia de casal. É colunista do blog Gravidez Invisível.

Post anterior

Adoção pelo olhar da criança que foi adotada

Próximo post

A gravidez invisível e seu “pré-natal”

Lívia Oliveira

Lívia Oliveira

Psicóloga (CRP 07/18713) formada pela PUCRS, com formação em Psicoterapia Humanista (Ser & Existir – Centro de Estudo da Pessoa/RS). Atua na área da Psicologia Clínica atendendo individualmente a crianças, adolescentes, adultos e terapia de casal. É colaboradora do blog Gravidez Invisível.

Sem Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *