Gestação do coração

Reflexão: O começo da vida… e a família constituída por adoção por Gilmara Lupion Moreno

Quando se está grávida ou ‘grávidos’ por adoção muitas são as questões que ocupam nossos pensamentos sobre os primeiros anos de vida da criança que iremos acolher como filho ou filha. Como foi a vida dessa criança com a sua família de origem? Quais foram às dificuldades que esse bebê vivenciou? Fome? Frio? Maus-tratos? Doenças não tratadas? Será que a ausência da ‘mãe biológica’ é prejudicial para o desenvolvimento infantil?

O documentário ‘O Começo da Vida’ dirigido por Estela Renner e produzido por Maria Farinha Filmes nos convida a refletir sobre a importância dos primeiros anos de vida de uma criança, bem como da necessidade de proporcionarmos um ambiente seguro para os meninos e meninas nessa fase da vida.

cartaz

Sabemos que não podemos ‘apagar’ a história de vida de uma criança, mas podemos ajudá-la a vencer suas possíveis dificuldades, proporcionado a ela o direito de ser adotada, de ter uma família, de ser amada. A boa notícia que o documentário nos traz é que nos tornamos pais, aprendemos a ser pai e mãe, garantindo a criança a sua sobrevivência e desenvolvimento, promovendo sua integração social, tornando-a progressivamente mais autônoma.

Nos tornamos pai e mãe por meio do vínculo que construímos com a criança, sendo este desenvolvido por meio da interação amorosa e contínua com o nosso filho ou filha, ou seja, quando dia após dia, alimentamos, banhamos, brincamos, protegemos, estabelecemos limites… aprendemos a amar.

A maternidade não é algo nato, natural, nos tornamos mãe! O relato de uma mãe biológica no filme chama a atenção, quando a mesma fala do processo de construção do vínculo com os seus filhos biológicos, da aprendizagem que é tornar-se mãe. Toda criança, inclusive os filhos biológicos, precisa ser adotada, amada.

Como nos preparar para sermos pais e mães? No caso da adoção, hoje podemos contar com o trabalho voluntário dos grupos de apoio à adoção nesse processo de preparação para se tornar pais por adoção. Os grupos constituídos por pais adotivos, pretendentes à adoção e todos aqueles que se interessam pela causa da adoção, fazem um trabalho importante de auxiliar aqueles que esperam pelo seu filho ou filha, que pouco a pouco vão se preparando para receberem os seus tão desejados filhos.

O filme mostra-nos também o começo da vida nas diferentes composições familiares: pai-mãe-filhos, pai-filho, mãe-filho, duas mamães-filhos, dois papais-filho… E também as famílias constituídas por adoção. Dentre muitas, as reflexões que o filme nos proporciona, destaco o fato de que as crianças precisam de adultos responsáveis, dispostos a amá-las, que carregam consigo o desejo de ter um filho, de tornar-se mãe, de tornar-se pai.

Gilmara Lupion Moreno

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Tem padrasto que é pai! Linda homenagem do O Boticário para o Dia dos pais :)

Gilmara Lupion

Gilmara Lupion

Meu nome é Gilmara. Sou grata a Deus e aos meus pais (in memorian), pelo dom da vida, pelo amor incondicional. Sou londrinense, nasci e resido em Londrina-PR. Sou casada, vivi a experiência de encontrar o meu esposo através da fé e tenho certeza de que ele foi obra de Deus em minha vida. Sou mãe por adoção de uma menina carismática e de um menino simpático, ambos ‘guerreiros’, decididos a viver, amar e ser amados, também obra de Deus em minha vida. Sou membro do Grupo de Apoio à Adoção Trilhas do Afeto. Sou Pedagoga, Professora Universitária, trabalho com a formação de professores de crianças de zero a cinco anos, pois acredito que, assim como a família, a educação infantil é fundamental nesta etapa da vida - a infância.

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