Gestação do coraçãoPré-natal da adoçãoSobre a autora

Frustração generalizada durante a gestação do coração

Alguém aí já enfrentou ou está enfrentando incompreensão generalizada durante a gestação da adoção? Eu já quebrei a cabeça com este assunto…. É incompreensão de todo lado.

As pessoas próximas à nós não entendem a angústia de alguém que espera pelo seu filho através da adoção. Esta gestação sem período definido dilacera a alma. Além do que, lidamos com vários problemas sociais que precisamos acomodar dentro de nós para conseguirmos seguir adiante.

Disappointment-300x225Eu senti (e ainda sinto) vontade de visitar todas as casas de acolhimento e abraçar todas as crianças e adolescentes que lá estão. Infelizmente estão “acolhidas” sob a responsabilidade do Estado e longe daqueles que deveriam proporcionar amor e carinho à elas. Todavia, poucas delas estão aptas para adoção.

Algumas ainda tem vínculo com a família biológica e estão ali em caráter temporário. Porém a maioria delas está na espera do julgamento do seu processo judicial. Quanta injustiça! Um governo que deveria proporcionar o futuro do país não consegue priorizar as crianças e adolescentes. Deixam os processos jurídicos de cada uma se arrastarem por anos. Além do gasto financeiro para o governo, tem um valor que não é possível precificar, o valor da infância e adolescência perdida nestas casas de acolhimento. Meu coração dói só de pensar.

Uma criança que entra com dias de vida numa casa de acolhimento deveria ser encaminhada diretamente para adoção, mas as leis atuais atrapalham tanto a vida desta criança, que diga-se de passagem já sofreu com o abandono, que em muitos casos elas terão os seus processos judiciais resolvidos aos 3 ou 4 anos de idade. Ou então aquelas crianças que já sofreram abusos e maus tratos dos seus responsáveis legais, e ainda assim o Estado insiste na reinserção na família biológica, como se o sangue valesse mais do que o amor e respeito.

Essa é a nossa legislação no Brasil. Essa é a forma como lidamos com o direito de crianças que não podem falar por si, que não podem se defender e lutar pelos seus direitos. Num país onde nem nós adultos somos escutados e temos os nossos processos resolvidos com agilidade, receio que estas crianças sofram ainda mais as consequências. Como mudar isso? Precisamos nos unir e colocar governantes com o coração para representar os interesses da população e não os seus interesses pessoais como temos visto por aí. Honestamente não sei como que conseguem dormir em paz.

Quanta incoerência neste mundo… e tantas famílias esperando, prontas para amar, dispostas a lidar com todos os desafios e preconceitos por amor!

Desejo a cada um de vocês muita sabedoria nesta espera, com muita paz e amor.

Com carinho,

Luciane

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Luciane Moreira Cruz

Luciane Moreira Cruz

Gaúcha de nascimento, inglesa de coração. Administradora por profissão, blogueira por uma causa. Venturosamente esposa do Filipe e mãe dos príncipes Noah e Luca. Fui abençoada com uma família maravilhosa e amigos preciosos. Sonhadora ao exponencial infinito. Essencialmente uma caçadora de Deus. Acredito no bem e que ele sempre vence o mal, que menos também pode ser mais e que a felicidade pode sim virar rotina. Já fui mais organizada, a maternidade me trouxe outras prioridades, mas amo etiquetas organizacionais! Possuo muita determinação e persistência para lutar pelo amor e pela justiça. Amo os animais, especialmente meu cão e fiel escudeiro Johnny e a espoleta Amora. Por aqui, compartilho as experiências vividas durante o período de gestação do coração (gravidez invisível) e sobre o universo da formação de uma família através adoção. Tenhos muitos sonhos, um deles é pelo direito que toda criança tem de viver em família recebendo amor, carinho e respeito. Outro é contribuir para uma nova cultura da adoção no meu país. Desejo que você encontre aqui apoio e que saia daqui com novas ideias. Seja sempre bem-vindo!

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