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Escola e adoção: pública ou privada? Datas Comemorativas? Dificuldade de Aprendizagem?

Todos os grávidos da barriga ou do coração se perguntam: Quem vai ficar com o meu filho ou filha enquanto eu estiver no trabalho? A avó, a babá ou a creche? Portanto, a escola mesmo antes da chegada dos filhos já está no imaginário dos pais. Para além desse objetivo social, estar com as crianças enquanto seus pais trabalham, a educação é um direito das crianças e adolescentes, logo, um dever dos pais ou responsáveis matricularem seus filhos na escola.

Quando se trata de famílias constituídas por adoção, cabe aos pais e professores, diretores e coordenadores respeitarem não só o direito das crianças a educação, mas também o fato de ter sido adotada. Enquanto pedagoga e mãe por esta via de filiação, quero compartilhar aqui algumas questões que envolvem as famílias constituídas por adoção e a escola:

  • Escolha da escola: pública ou privada?

Nos casos de adoção tardia, especialistas recomendam que os pais mantenham seus filhos numa escola semelhante a que eles frequentavam anteriormente, ou seja, uma escola pública. Evitando assim que a criança se sinta deslocada, isolada, uma vez que a nova escola é muito diferente da sua realidade até o momento. Acredito que independente de ser pública ou privada, é preciso encontrar uma escola acolhedora, de pequeno porte, que respeite a história dos nossos filhos, que esteja disposta a aprender a trabalhar com a adoção na escola. Quando me pergunto: O que desejo para os meus filhos? A resposta é: Que sejam felizes! Logo, a melhor escola é aquela na qual os nossos filhos são felizes.

  • Falando sobre adoção na escola

É importante informar à escola que seu filho foi adotado, e que você deseja que a sua história adotiva seja respeitada pelos colegas, funcionários e professores da escola. Isso significa que a criança adotada deve ser tratada com respeito, devendo a escola evitar constrangimentos e situações vexatórias, como por exemplo, solicitar como tarefa que a criança leve para a escola uma foto da sua mãe grávida; ou então, uma cópia da sua certidão de nascimento, quando essa ainda não tem, pois, o seu processo de adoção ainda não foi concluído.

  • Uso do nome social na escola

No caso de processos de adoção em andamento é importante solicitar à escola que façam uso do nome social do seu filho, ou seja, o nome que ele terá após a conclusão da adoção. Isto é, que a criança seja tratada pelo nome pelo qual ela se reconhece, identificado por seu grupo social e familiar. Para as crianças pequenas o nome é muito importante na construção da sua identidade. Quem sou eu? Qual o meu nome? Ser tratada pelo nome de registro pode prejudicar esse processo e trazer constrangimentos, tristeza, lembranças dolorosas de sua história de vida anterior à adoção, bem como lembrá-la insistentemente o fato de não ser filha ou filho biológico de sua família afetiva. Não se trata apenas de um pedido, um favor, mas de um direito da criança em processo de adoção garantido em lei!

  • Conteúdos Curriculares

Defendemos a ideia de que o tema adoção deve ser amplamente trabalhado na sociedade de modo geral, nos Grupos de Apoio à Adoção, nas igrejas, nos meios de comunicação, e certamente, na escola. Sendo assim, devemos estar abertos e preparados para lidar com a adoção na escola, alguns conteúdos escolares trazem a tona o tema adoção, como por exemplo, quando está sendo trabalhado com os pequenos a história de vida, a história do nome, a família, a reprodução humana etc.

Como você era quando nasceu? Cole no seu caderno uma foto sua de quando era bebê. Quem escolheu o seu nome? Essas são algumas das lições de casa que costumam gerar dúvidas na hora de ajudar o filho por adoção com as tarefas escolares. No que diz respeito aos pais, é preciso dizer a verdade sempre. No caso da adoção ter alterado apenas o sobrenome da criança, vale dizer: “A mamãe não sabe quem escolheu o seu nome, provavelmente a mulher que fez o seu corpinho na barriga dela”, ou então, “Não sei você já chegou com esse nome e eu adorei!”. Já, os professores precisam saber sobre a adoção dos nossos filhos, a fim de evitar tarefas escolares que coloquem as crianças em situações embaraçosas junto aos coleguinhas de sala, por outro lado, aproveitar desses conteúdos para trabalhar as diferentes composições familiares, dentre elas, as constituídas por adoção.

  • Datas Comemorativas

Tradicionalmente algumas escolas comemoram o ‘Dia das mães’ e o ‘Dia dos pais’, outras instituíram “O dia da família” e trabalham com as diferentes constituições familiares por ocasião dessa data. No entanto, ao trabalhar com as datas comemorativas ‘Dia das mães e dos pais’, as escolas devem respeitar e contemplar os diversos arranjos familiares, as mães e os pais biológicos, as mães e os pais adotivos. Afinal, o que importa é homenagear quem exerce a função paterna e materna, independente do sexo e dos laços de sangue.

  • Adoção e Dificuldade de Aprendizagem

Por muito tempo se acreditou que as crianças que foram adotadas costumam apresentar dificuldades de aprendizagem. É preciso esclarecer que de fato algumas crianças que foram adotadas apresentam dificuldades nos estudos, podendo estas estar ou não relacionadas com a sua história de vida anterior à adoção. É preciso dizer também que as crianças que foram adotadas costumam evoluir e muito nos estudos após a adoção.

Enquanto, pais não podemos permitir que as dificuldades de aprendizagem dos nossos filhos sejam justificadas apenas pelo fato deles terem sido adotados, é preciso verificar a existência de outros fatores, como por exemplo, o método utilizado pela escola, a formação dos professores etc. Por outro lado, devemos reconhecer as dificuldades dos nossos filhos, que pode de fato estar relacionada à sua história de vida anterior a adoção, e juntos família e escola buscarmos alternativas para que eles possam superar as dificuldades e seguir satisfatoriamente com seus estudos. Acreditem eles são capazes não só de alcançar o desempenho esperado para o seu nível de desenvolvimento como superá-lo!

Falar de adoção na escola é algo novo, assim como nos demais espaços sociais, ou seja, é preciso construir uma cultura da adoção. Por isso, é preciso que as famílias adotivas conversem, esclareçam, até mesmo orientem as escolas a buscarem conhecimento sobre adoção.

Gilmara Lupion

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