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Entrevista com Elba Ramalho – Revista Cláudia

A cantora comenta a demora da Justiça em conduzir os processos de adoção e revela, emocionada, as alegrias de ser mãe de uma criança que nasce do coração…

CLAUDIA —

Quando você e seu marido decidiram pela adoção?

ELBA RAMALHO —

Optamos pela adoção quando constatamos a impossibilidade de gerar um filho por vias naturais. Mesmo antes desse episódio, eu já desejava adotar uma criança. Talvez mais pelo desejo de exercer o meu amor e a caridade – afinal, existem filhos abandonados por todos os cantos e mães desejosas de filhos, aos montes por aí. Por que não fazê-lo? O que difere um filho que nasce de sua barriga e um que nasce do coração? Gaetano, muito mais do que eu, decidiu imediatamente iniciar todo o processo jurídico.

CLAUDIA —

Como foi a preparação psicológica para receber uma criança? Quais as dúvidas passaram pela cabeça de vocês em relação a isso?

ELBA RAMALHO —

A preparação psicológica não foi algo que nos preocupou. Para aqueles que realmente optam pela adoção, vontade sincera e desejo sólido são suficientes para o fortalecimento do espírito, do emocional. No caso da adoção, não há perdas, só ganhos e vitórias. Não há o que superar, apenas vivenciar a emoção de um grande feito, uma grande realização.

CLAUDIA —

Você encontrou algum entrave no procedimento jurídico?

ELBA RAMALHO —

Não houve entraves, apenas um sério controle da lei no caso da adoção. Uma seriedade imprescindível para assegurar o futuro de tantos inocentes, muitas vezes vilipendiados pela sordidez humana, mal tratados e abandonados a todo tipo de dor. A lei protege, investiga, analisa e age. O entrave real é o tempo que demora essa ação. Acredito que poderia ser mais rápido, já que há urgência nesse tipo de processo. Crianças sofrem o abandono, a solidão e maus-tratos, enquanto casais com boas intenções esperam durante anos por uma solução da justiça. Essa parte eu questiono bastante como representante de uma ONG, a Bate Coração, que age em defesa da adoção e do bem-estar dos menores.

CLAUDIA —

Qual o perfil de criança que vocês buscavam? Foi necessário mudar esse perfil para facilitar a adoção?

ELBA RAMALHO —

Desde o começo, mantivemos o desejo por uma menina, recém-nascida até um ano de vida. Não mudamos o perfil, apenas a rota da busca da criança. E deu certo. Entramos com a documentação numa vara de Porto Alegre, terra de Gaetano, seguindo a indicação de amigos. Aguardamos quase um ano e não tivemos nenhuma notícia. Não fomos chamados para entrevista ou coisa parecida. Fui convidada, então, a visitar um orfanato em São Paulo. Lá encontramos aquela que viria a ser nossa princesinha. Maria Clara havia sido abandonada pela mãe logo após o nascimento, estava muito frágil e debilitada. Muitos casais que aguardavam na fila rejeitaram a menina com medo do estado da sua saúde dela. Fiquei muito comovida com toda a história e decidimos lutar por aquele bebê. Deus ouviu nossas orações.

CLAUDIA —

Por ser famosa, você contou com privilégios no processo?

ELBA RAMALHO —

Não tive qualquer protecionismo por parte da justiça, apenas a sorte de outros casais, antes de nós, terem rejeitado a criança por ter nascido prematura. Os médicos auxiliares da casa não oferecerem prognóstico de um futuro cem por cento seguro quanto à saúde dela. Apostamos, acreditamos, buscamos. Convencemos o juiz e a todos que a criança seria amada igualmente, em qualquer circunstância.

CLAUDIA —

Assistimos, hoje, a uma febre de adoções de crianças, de países pobres, por famosos como Madonna e Angelina Jolie. Você acha que isso pode incentivar as pessoas a adotarem? Ou acredita que isso é uma jogada de marketing dos artistas?

ELBA RAMALHO —

Se alguém adota uma criança para se promover está sendo negligente e cometendo um pecado. Não posso falar pelos outros famosos, mas falo por mim e pelo Gaetano. Falo da verdadeira e justa intenção de sermos pais. E seremos novamente, já que procuramos outra filha. Fazemos isto por amor, pois sucesso e trabalho já temos o suficiente. De minha parte, o que quero do mundo é o bem de todos e a possibilidade de fazer mais e mais pelos humilhados e abandonados.

CLAUDIA —

O que você aprendeu com sua filha e o que você ensinou a ela?

ELBA RAMALHO —

Maria Clara é a luz da minha vida, junto com meu filho Luã, que tem 19 anos. Nada pode me dar mais alegria e esperança do que seu sorriso, seu amor inocente e puro, seus olhos sinceros e sua alma santa. A vida é uma escola e os filhos acabam sendo os melhores mestres. Evoluímos juntos na busca de uma consciência mais amorosa, na busca do sagrado, na busca da comunhão em família. A família é uma dádiva preciosa e por nada me afastaria dos princípios éticos e morais que a sustentam. Meus filhos aprendem com os pais muitas lições. Mas eles nos ensinam a simplicidade, o amar sem condições ou apego.

Fonte: http://claudia.abril.com.br/materia/elba-ramalho-2324/?p=/famosos/entrevistas

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