Pós-parto do coração

Dicas de especialista para amamentação na maternidade através da adoção

Já contei para vocês sobre a minha tentativa de amamentar meu primeiro filho neste post.

Agora vamos abordar dicas da especialista em aleitamento materno Juliana Sell para quem também deseja tentar, e ter sucesso, claro! Saiba mais sobre a atuação de uma doula aqui neste post. 

É possível a produção de leite através do uso de medicamentos? Quanto tempo levará para começar a produção do leite?

Juliana – O uso de medicamentos depende de avaliação do médico que está acompanhando. O mesmo também pode indicar produtos não alopáticos para estimular a produção. Os medicamentos utilizados não são para amamentação, mas tem efeito galactogênico, ou seja , estimula produção de leite. No entanto também tem outros efeitos colaterais que o médico com a mãe precisam avaliar em conjunto.

E os equipamentos, tipo bombinha, para sucção, realmente ajudam?

Juliana – A produção do leite vai depender de dois hormônios, a prolactina e a ocitocina. Muito importante é o contato do bebê no seio e a estimulação desses para a produção e ejeção do leite. Para iniciar o processo, a mãe poderá fazer estimulação além das mamadas com o bebê, através do uso de bombas elétricas ou mesmo com a própria mão, sendo orientada como realizar a ordenha manual.

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Imagem: http://1.bp.blogspot.com/

No caso de adoção, normalmente vamos tomar o medicamento para produção após a chegada da criança, se a criança já toma mamadeira é possível fazer esta substituição? Ou temos que intercalar peito e mamadeira?

Juliana – Neste caso pode-se também utilizar outro método, que é o uso da mamadeira como pote para o leite de fórmula sendo oferecido para o bebê com uma sonda que estará no seio da mãe, assim ele mama ambos, sem comprometer a quantidade necessária e ainda está estimulando a produção materna. Aos poucos, com o aumento do leite materno, a sonda pode ser retirada, segundo avaliação do pediatra.

Imagem: http://1.bp.blogspot.com/-

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  1. Sofremos alguma alteração hormonal?

Juliana – A mãe que produz leite tem hormônios que a deixam mais sensível e emotiva. Sendo necessário que a família e amigos saibam disso para lidar com ela com mais carinho, apoio e proteção. Pois estará muito mais sensível do que em outros momentos da vida, além é claro, da própria chegada do bebê.

Imagem: http://mamiverse.com/

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Qual a dica para aceitar e agir com naturalidade diante de uma situação atípica, amamentar sem ter o corpo preparado para isso durante uma gestação biológica?

Juliana – Seria interessante conversar com um profissional qualificado em amamentação antes da chegada do bebê e discutir as alternativas e técnicas (pega correta, ordenha, posições no colo, cuidados com os seios, cuidados com a mãe durante a amamentação etc) para que estes assuntos não sejam uma surpresa SE for de sua vontade amamentar. Sem que vire uma obrigação, e sim uma alternativa se for seu desejo. Ao mesmo tempo que logo que souber da chegada do bebê, a mãe pode ir estimulando os seios (com as técnicas explicadas anteriormente) para começar a produção hormonal.

Quais as suas dicas para ter sucesso na amamentação em casos de adoção?

Juliana – Em qualquer amamentação as dicas serão as mesmas. Primeiro a mulher pensar se quer amamentar, ser orientada junto com seu companheiro e/ou familiar próximo, saber que para amamentar é importante que a mãe seja cuidada (alimentação, descanso, evitar de cuidar de problemas extras, se dedicar ao bebê, ser cuidada etc). A amamentação é um processo que envolve a parte hormonal e emocional, por isso além das técnicas super necessárias, a família precisa entender que todos estão envolvidos num “Ambiente Amamentados” (inventei este termo). Ou seja, que tenha proteção à díade, que a mãe possa se dedicar ao bebê, se entregar à maternidade sem precisar se preocupar com a casa e problemas da vida diária, que também tenha um tempo para descansar e se reenergizar sozinha . Lembrando que o estado emocional de quem amamenta está muito sensível e por isso qualquer incômodo pode afetar a própria produção de leite. A família precisa fazer uma redoma de cuidados e permitir que a mãe fique entregue ao processo em paz.

Penso que procurar um profissional que oriente a amamentação é bem importante para ajudar nas técnicas de amamentação e que o mesmo entenda também de orientar a família sobre a questão emocional e relacional que envolve a produção de leite materno.  Alguém que fique ao lado, que olhe mãe e bebê, que oriente o pai ou familiar de como ajudar na sua ausência, que tenha paciência e carinho para orientar sem pressionar a mãe e sim oferecer o apoio, as informações e o colo que ela tanto vai precisar.

Esperamos que tenham gostado das dicas da Ju, para falar direto com ela, enviem email para apoiomaterno@gmail.com.

Beijos com carinho,

Luciane

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Gravidez Invisível

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1 Comentário

  1. novembro 17, 2016 em 11:51 pm — Responder

    Boa noite!

    Eu estou escrevendo apenas para parabenizar o conteúdo do seu blog, parabéns.

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