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Depoimento de adoção: Meus filhotes chegaram! Priscilla Aitelli, mãe do Marcos e da Erica

Olá pessoas lindas do Gravidez Invisível!!

Estava com saudades de vocês!! É, pois é, estive sumida, mas foi por uma linda e grande causa!!

Para quem ainda não sabe, meus filhotes chegaram!!!!

Já faz 1 ano, e me dediquei a eles durante esse período. Foi um ano cheio de descobertas, adaptação, conhecimento e expectativas. E vou contar para vocês como foi!

Não, nosso telefone não tocou. Meu coração estava agitado no final de 2015, sabia que a hora estava próxima. Numa tarde de dezembro uma amiga que faz parte de um grupo de busca ativa me manda uma mensagem: “Pri, estamos procurando pais para 6 crianças!”. Pensei com meus botões: “6? Tá doida, como vou dar conta de 6 crianças, financeira e psicologicamente! Hehe”. E ela logo completou: “Serão divididas em 3 famílias da mesma região para que seja mantido o vínculo. Estamos procurando pais para um menino de 11 anos e uma menina de 3 meses.”. Meu coração acelerou de uma maneira tão extraordinária que meu corpo todo tremeu, avisei a ela que não poderia decidir isso sozinha, teria que falar com meu marido, se poderia me dar um tempinho para fazer isso e dar uma resposta. Ela disse que ok, mas que não demorasse muito.

Lembro-me de outras vezes em que ela já tinha entrado em contato comigo fazendo busca ativa para crianças e em nenhuma daquelas vezes meu coração tinha ficado tão agitado. Tentei entrar em contato com o Silvio, ele estava em curso no trabalho, liguei e não atendeu, mandei whats: me liga assim que puder, é urgente, achei nossos filhos. Acho que ele se espantou com a quantidade de ligações e mensagens que ligou logo em seguida. Contei a história que tinham me falado e ele afirmou: São os nossos!

Começou a fase de ansiedade pré parto. Conversamos com a pessoa que tinha mais informações e fotos das crianças e ainda tínhamos que encontrar um casal para mais uma dupla de irmãos. Achamos, e começamos as conversas com as técnicas do abrigo em que as crianças estavam. Elas estavam preparando psicologicamente as crianças para a inserção em uma nova família e também trabalhando a separação, por mais que ficassem perto, era uma separação, e isso teria que ser assimilado por todos.

Foram mais alguns meses de espera, enquanto isso preparávamos a casa para recebe-los. Correia da família para que tudo estivesse pronto. Passamos o Natal e a Virada de Ano na expectativa de que seriam as últimas comemorações sem as crianças. Recesso do Fórum e as últimas sentenças de destituição fizeram com que nosso encontro fosse marcado para o começo de Março de 2016.

O coração acelerava mais com o passar dos dias e enfim chegou o dia do encontro.

adocao marcos erica

Quando fecho os olhos e lembro desse dia lembro de chegar no abrigo e ver um magrelo de calça e jaqueta jeans, camisa xadrez e cabelo lambido para o lado, parado na porta olhando para o estacionamento. Peguei na mão do Silvio e disse: “Olha lá nosso menino!”. Logo entrou para brincar com as outras crianças.

Conversamos primeiramente com a Coordenadora e com a Psicologa e a Assistente Social da casa, que abertamente nos contou todo o processo das crianças, suas manias, dificuldades e expectativas. E nesse momento eu e o Silvio fomos informados que a destituição da nossa pequena estava emperrada e que não poderíamos leva-la para casa junto com o primogênito. Ah, os nomes deles: chamo-os nas redes sociais de Marcos e Erica, para protege-los um pouco até que saia a sentença definitiva de Adoção.

Com essa notícia meu coração despedaçou, estava feliz por conhecer meus filhos mas triste por saber que teria que deixar parte de mim ainda no abrigo.

Marcos, um menino tímido, cheiroso e que não gostou muito da mãe beijoqueira que arrumaram pra ele, rsrs, e que insistia em deixar marcas de batom em seu rosto. Falava baixinho e se irritava um pouco quando não o entendíamos.

Erica, uma gorducha linda, avida por comida e adorava o colinho do papai, dormiu várias vezes no colo dele nos dias em que estivemos na cidade.

Chegou o dia em que tínhamos que voltar pra casa com um e deixar o outro. Dia que saí plena e arrasada, chorei de alegria e de tristeza. Meu coração estava dividido, uma parte indo e a outra ficando.

Tinha que ser forte e estar inteira para que a adaptação do Marcos se desse da melhor forma. Foi um grande desafio pois ele era o mais velho, consequentemente o mais negligenciado nessa história de vida dele. Não estava acostumado a receber amor, carinho, atenção e dedicação exclusiva, muito menos ter regras para seguir e cumprir. Foram meses intensos de aprendizado, dele como realmente filho e de mim como realmente mãe. Chorei várias vezes sozinha achando que não daria conta, mas vibrei muito mais com cada conquista dele: aprender a efetivamente a ler e escrever, o sorriso da primeira nota alta, o primeiro beijo espontâneo, os laços de amizade feitos na escola.

Nossa pequena Érica pode vir pra casa 6 meses após a chegada do Marcos, e assim nossa família se completou.

No começo a gente não entende os desígnios de Deus né?! Eu questionei muito o porquê dessa separação, porque não poderia ser mais fácil e eu trazer os dois para casa de uma vez. Porque o processo da Erica se arrestava e sem definição.

Hoje tenho a certeza que o tempo e Deus foram perfeitos comigo e com a minha família. Marcos necessitava dessa dedicação exclusiva para a sua adaptação e evolução. Erica precisava estar segura processualmente para que não houvesse alguma insegurança jurídica que pudesse ser usada e que revertesse a destituição em segunda instancia. E eu necessitava dar o melhor de mim para um e depois para o outro, e nesse meio todo me descobrir como mãe, pois a expectativa é muito diferente da realidade e isso se aplica a toda a maternidade, biológica ou adotiva.

Espero que tenham gostado de saber como nossos filhos chegaram… se tiverem alguma pergunta/duvida mandem email aqui pro Gravidez Invisível que a Lu me repassa e eu terei o maior prazer em responder, ou se quiserem saber mais alguma coisa deixem aqui nos comentários que faço mais posts pra vocês!!

 

Bj Bj,

Priscilla Aitelli, mãe do Marcos e da Erica

Colunista do blog Gravidez Invisível e blogueira: www.mamyantenada.com

 

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Priscilla Aitelli

Priscilla Aitelli

Sou Priscilla Aitelli, 39 anos, mãe do Marcos e da Erika, Bióloga de profissão, e tenho o Blog Mamy Antenada para compartilhar minhas experiências nesse mundo de Gestante do Coração, Mulherices e Inspirações. e colunista do blog Gravidez Invisível. Sou Carioca, fui criada em Joinville/SC e atualmente moro em Palhoça/SC com o Maridão Silvio, meus filhos Marcos e Erika e com meus filhos de 4 patas, a Dora e o Minduim.

7 Comentários

  1. maio 31, 2017 em 10:06 pm — Responder

    Pri..gostaria, se possível, que falasse mais sobre a adaptação do Marcos…as dificuldades..os obstáculos q passaram… bjuu

    • junho 19, 2017 em 9:38 am — Responder

      Olá!! Já tem alguns posts lá no blog, mas escreverei mais sim!! Graditão, beijokas!!

  2. junho 7, 2017 em 8:21 pm — Responder

    Boa noite!
    Gostaria de saber sobre os outros irmãos, faço curso serviço social, e estou no termino do curso, e a minha monografia, fala justamente sobre adoção de grupos de irmãos, onde eu destaco essa parte da separação dos irmãos, como que eles reagem quando fica sabendo que vão ser separados?
    E muito linda a sua historia Pricilla.

    • junho 19, 2017 em 9:44 am — Responder

      Olá!
      Esse assunto da separação foi tratado e trabalhado pelo pessoal da Casa Lar, antes do encaminhamento para as famílias. Um dos requisitos era que as familias fossem de comarcas proximas (ou da mesma) para que as crianças mantenham o vinculo. Eles se falam por facetime e telefone e nos organizamos para encontros em finais de semana. No nosso caso, 2 dos irmãos estudam no mesmo colégio que o Marcos e a Erica, então estão sempre em contato.
      Fico a disposição caso queira perguntar algo mais específico (email: mamyantenada@gmail.com).
      Bj bj

  3. junho 7, 2017 em 8:24 pm — Responder

    acabe de enviar uma pergunta ,porem o meu e-mail foi errado.

  4. junho 10, 2017 em 2:51 pm — Responder

    Boa tarde!
    Como funciona a busca ativa?
    Tem algum site que consigo ver nas comarcas de tem alguma criança no perfil que escolhemos ?
    Desde já agradeço a atenção​ .

    • junho 19, 2017 em 9:51 am — Responder

      Olá!
      A busca ativa funciona para crianças com mais dificuldade de colocação familiar, como grupos de irmão (geralmente de 3 a mais irmãos), crianças com idade superior a 7 anos e crianças com necessidades especiais.
      Algumas comarcas conseguem alimentar os dados no portal do CNJ, mas a maioria não. Geralmente algumas pessoas dos grupos de apoio a adoção fazem esse papel de “cegonha”. Em grupos de apoio a adoção virtuais também!
      Só tome cuidado com alguns grupos virtuais, como sempre temos aqueles bons e alguns que não são muito!!
      Fico a disposição no email: mamyantenada@gmail.com
      Bj Bj

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