Psicologia & Adoção

Conversando sobre adoção: como contar.

Impossível falar sobre adoção sem pensar em como e quando conversar com seu filho sobre isso. Arrisco a dizer que, talvez, esse seja o maior medo dos pais. Ainda é um tema tabu e gera muita insegurança. Como contar? Quando contar?

Primeiramente é importante ressaltar que cada criança é única e cada família tem sua forma e seu tempo de lidar com essa questão, mas de um modo geral a questão da adoção deve falada desde sempre. Desde a chegada do filho, independente da idade que ele tenha. Na medida que a criança for crescendo ela irá começar a compreender o que quer dizer tudo aquilo que ela já estava acostumada a ouvir. É uma forma de ir familiarizando a criança com tema e ir tranquilizando os pais para quando chegar um momento de maiores explicações.

O diálogo aberto sobre adoção e sobre a história da criança deve existir desde sempre. Desde cedo é importante que a criança perceba que não há segredos, que os pais não mudam de comportamento quando determinado assunto aparece, que eles não se constrangem com perguntas de estranhos, e assim por diante. A criança pequena pode não compreender o conteúdo, mas percebe muito bem as alterações de comportamento dos pais e familiares. Por isso, é fundamental que os pais se sintam emocionalmente seguros para lidar com esse assunto desde cedo ao invés de ir se preparando para o momento da revelação. Aliás, esse é um momento que não deve existir. Aquele momento de tensão onde os pais chamam os filhos para dar uma grave notícia deve existir somente nas novelas. O ideal é que a “revelação” seja natural e gradativa conforme o crescimento da criança.

Vá falando sobre o assunto aos poucos e com uma linguagem adequada para cada faixa etária. Acompanhe a curiosidade natural de seu filho. Ele mesmo irá indicar, através de suas perguntas, o que está pronto para ouvir. Na medida em que ele for se desenvolvendo as perguntas e respostas irão ganhar mais detalhes e conteúdos. Estar aberto para qualquer dúvida que possa surgir é fundamental, bem como acolher qualquer sentimento que possa aparecer conforme as informações vão sendo dadas.

Outro ponto importante ao conversar com as crianças sobre adoção é o respeito com sua história passada. Os pais não devem negar nenhuma informação, mas também não dar nenhum dado além do que o filho está realmente perguntando. Quanto mais natural for a conversa, mais tranquilo será para todos. Na verdade as conversas, pois esse tema surgirá muitas e muitas vezes ao longo do desenvolvimento da criança. A criança precisa da repetição para assimilar o conteúdo que está sendo dito.

Um recurso bastante interessante para esses momentos são os livros e filmes. Claro, sempre adequado para a idade da criança. Quando a criança vai compreendendo a histórinha ela vai se reconhecendo e fica mais fácil de entender a sua própria história. Ao ver que acontece com “os outros” a questão se torna natural e mais fácil de ser compreendida. No site: portaldaadocao.com.br tem indicações de diversos livros com esse tema.

Como disse lá no início, cada família irá encontrar o seu momento e sua forma de abordar a adoção, mas lembre-se de que quanto mais gradativo e natural mais fácil é para todos. Espero ter ajudado com um tema tão profundo e que ainda geram muitas dúvidas.

Até a próxima!

Lívia Oliveira
Psicóloga: CRP 07/18713

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Lívia Oliveira

Lívia Oliveira

Psicóloga (CRP 07/18713) formada pela PUCRS, com formação em Psicoterapia Humanista (Ser & Existir – Centro de Estudo da Pessoa/RS). Atua na área da Psicologia Clínica atendendo individualmente a crianças, adolescentes, adultos e terapia de casal. É colaboradora do blog Gravidez Invisível.

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