Pós-parto do coração

Amamentação na maternidade através da adoção

Meu primeiro filho nasceu para nossa família com 3 dias de vida.

Recebemos algumas indicações de pediatras, porém uma delas também era mãe através da adoção, e como eu precisava de acolhimento e empatia (escassos durante a gestação do coração) decidi que essa seria a profissional que nos ajudaria nesse primeiro momento com nosso filho.

Assim que pegamos ele, fomos na nossa primeira consulta com a pediatra. Papai e mamãe super ansiosos e também preocupados, querendo saber tudo a respeito da saúde do nosso tão esperado filho. Tínhamos a carterinha de vacinação que estava parcialmente preenchida.

Ela fez um exame nele minucioso, e pediu alguns exames complementares. Recebemos muita orientação e conselhos, e então veio a pergunta esperada porém ainda assim gerou surpresa: “E você, deseja amamentar?” Já tinha lido alguma coisa sobre a possibilidade da amamentação, mas na hora fiquei em estado de choque e respondi: “Se for o melhor para ele, claro que sim, quero tentar!”.

Então ela explicou como seria todo o processo. Explicou sobre o medicamento que eu tomaria (não citarei o nome para evitar auto-medicação, consulte um médico caso queira saber mais) para ajudar na produção de leite. Pelo que entendi não existe um remédio específico para produção de leite, mas sim medicamentos que tem este efeito colateral. Este medicamento era um anti-depressivo, fiquei com receio de tomar por ter corticóide, mas daí ela me disse assim: “Vale lembrar que também existe a depressão pós-filhos”, ampliando o termo já conhecido como depressão pós-parto.

Após conversarmos, e tomada a decisão de sim tentar amamentar, ela me pediu que tirasse a blusa pois ela me ensinaria a amamentar. UM MINUTO DE SILÊNCIO NA SALA. Meu Deus o que eu faço agora?! Que vergonha, será que vou fazer o certo? Me senti inadequada por fazer algo contra a natureza, já que eu não havia passado por uma gestação biológica e todas as transformações do corpo que vem com ela. Mas naquele momento entendi que a maternidade chega com alegrias e também com esforço e superação. E aceitei o desafio. Estava nascendo ali uma mãe que faria de tudo pelo seu filho. No momento que sentei na cadeira, meu marido colocou nosso pequeno no meu colo e ela na hora já aproximou ele e encaixou a boquinha dele meu peito. Na hora ele pegou. Foi EMOCIONANTE. 

O tempo parou. Eu chorei litros. A emoção tomou conta da sala. Nós quatro, mãe, pai, filho e pediatra em um momento sublime onde o amor vence o medo e ultrapassa os limites do vínculo sanguíneo. O desejo de amar e maternar vence todas as barreiras. A vontade de ser mãe vence qualquer desafio. Saímos daquela consulta mais empoderados do que nunca como PAIS. A parentalidade já estava impregnada em nós, no nosso espírito e na nossa alma. Grata a Deus por isso.

amamentação sepia 2

Chegando em casa, foram várias tentativas de amamentar, mas sem prática alguma e apoio foi difícil continuar. Meu marido ficava muito nervoso com o choro de fome do nosso filho, então insistia para que desse a mamadeira. Dos familiares e amigos mais próximos, ninguém de fato se ofereceu para me ensinar a amamentar, estávamos ainda quebrando a primeira barreira de ter um filho parido pelo coração, as pessoas não sabiam como lidar com a situação do pós-parto, era tudo novo para todos. Foi difícil desistir. Mas como muito bem disse a Fernanda Gentil: “O amor que bate no peito bate também na mamadeira”, e tenho plena convicção disso.

adoção em pauta - fernanda gentil


Por isso fazia questão de amamentar mesmo com a mamadeira. Era o meu momento com o meu filho. Cada um que chegava lá em casa pedia para dar o mama, foi difícil negar todos os pedidos, mas eu me sentia mais confortável em dividir esta tarefa apenas com o pai. Todos os demais eu sentia ciúmes pois era o nosso momento íntimo, MÃE e FILHO. Após um ano, tomei conhecimento do trabalho de uma doula no pós-parto, inclusive no pós-parto da adoção. Falo mais sobre isso neste
post.

Mais uma vez conversando com a psicóloga e doula, Juliana Sell, vejo que alguns pontos são importantes para se ter sucesso na amamentação. No próximo post falaremos de dicas dela como especialista para quem desejar amamentar.

Até a próxima.

Beijos,

Luciane

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Luciane Moreira Cruz

Luciane Moreira Cruz

Gaúcha de nascimento, inglesa de coração. Administradora por profissão, blogueira por uma causa. Venturosamente esposa do Filipe e mãe dos príncipes Noah e Luca. Fui abençoada com uma família maravilhosa e amigos preciosos. Sonhadora ao exponencial infinito. Essencialmente uma caçadora de Deus. Acredito no bem e que ele sempre vence o mal, que menos também pode ser mais e que a felicidade pode sim virar rotina. Já fui mais organizada, a maternidade me trouxe outras prioridades, mas amo etiquetas organizacionais! Possuo muita determinação e persistência para lutar pelo amor e pela justiça. Amo os animais, especialmente meu cão e fiel escudeiro Johnny e a espoleta Amora. Por aqui, compartilho as experiências vividas durante o período de gestação do coração (gravidez invisível) e sobre o universo da formação de uma família através adoção. Tenhos muitos sonhos, um deles é pelo direito que toda criança tem de viver em família recebendo amor, carinho e respeito. Outro é contribuir para uma nova cultura da adoção no meu país. Desejo que você encontre aqui apoio e que saia daqui com novas ideias. Seja sempre bem-vindo!

3 Comentários

  1. fevereiro 24, 2016 em 2:21 pm — Responder

    Boa tarde!

    Demos entrada no processo de adoção no dia primeiro de dezembro de 2015, ainda recente. Passamos o ano de 2015 inteiro nos preparando para iniciarmos uma nova fase em nossas vidas e com certeza a mais importante, única e especial. Ainda não estamos habilitados, mas já me sinto grávida, pois o meu coração e a minha alma pulsam por esse amor. Dia 11 de março faremos o curso preparatório, sendo assim, o processo começou a andar e isso nos deixa mais animados e esperançosos.
    O mais magnífico de tudo, é que a um novo amanhecer, aumenta a certeza de que fizemos a escolha certa e que estamos no caminho certo. Tinha que ser assim e isso me faz a pessoa mais completa.
    A nossa história é linda… Vencemos barreiras e descobrimos que jamais podemos desistir dos nossos sonhos e que o amor verdadeiro constrói…

    “… AMOR DE ALMA,
    AMOR DE ACALMA…”

    Estamos à disposição caso queiram publicar a nossa história no blog.

    Grande abraço.

    Juliana e Edilson

  2. fevereiro 27, 2016 em 3:30 pm — Responder

    Olá! Meu segundo filho, chegou assim, desse jeito lindo, elaborado, tão bem parido…pela adoção. Hoje nossa história já completa 24 magníficos anos! Nossa, como o tempo correu! Meu bebezinho de 8 horas de vida, agora tem mais de 1,70mt de amorosidade, garra e dignidade! Gostaria muito de publicar uma carta que reencontramos, que lhe escrevi, quando o Davi, completou 18 anos. To à disposição pra partilhar momentos da intensa experiência da gestação da alma. Abraços, Gláucia.

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