Crianças e adoção

Adoção & Escola – Por uma cultura adotiva na escola

Estudos revelam a importância da relação escola-família no processo de aprendizagem e desenvolvimento da criança, outros apontam para a diversidade de constituições familiares existentes, tais como, as famílias tradicionais (pais, mães, filhos biológicos), as monoparentais (mãe-filho, pai-filho), as reconstituídas (novas uniões após a separação), as constituídas por uniões homoafetivas, as constituídas por adoção etc. Portanto, no trabalho com as crianças e suas famílias convém que as escolas se ajustem às novas realidades, para não incorrerem em situações preconceituosas, pautadas em ideias preconcebidas, no caso da adoção, sustentadas no mito dos laços de sangue, no preconceito contra a adoção tardia e por casais homoafetivos.

No que diz respeito, a cultura da adoção no Brasil, temos progredido com a constituição dos Grupos de Apoio á Adoção, a publicação de livros sobre adoção para adultos e crianças, a pesquisa científica sobre adoção, a presença do tema na imprensa televisiva e impressa etc. Entretanto, para muitas pessoas o tema adoção ainda é tido como um tabu, um assunto proibido.   Consequentemente, pode-se dizer que as escolas ainda tem resistência, dificuldade em trabalhar a temática com a comunidade escolar, isto é, a equipe pedagógica, os professores, os pais e responsáveis e os alunos.

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Foto: www.chop.edu

No entanto, é preciso construir uma cultura adotiva na escola, criando espaços de discussão sobre a diversidade das famílias, dentre elas, a constituída por adoção. Mas, como desenvolver a cultura da adoção na escola? Primeiramente dando visibilidade a adoção no âmbito escolar, tratando o assunto com naturalidade; valendo-se das matérias veiculadas na mídia sobre adoção para abrir o debate, a pesquisa e a reflexão sobre as famílias adotivas e o direito das crianças de terem uma família.

Uma das oportunidades para se trabalhar o tema na escola, é a comemoração do Dia Nacional da Adoção. A data surgiu em 1996, no I Encontro Nacional de Associações e Grupos de Apoio à Adoção, realizado nos dias 24 e 25 de maio. Na ocasião, os grupos elegeram o dia 25 de maio como o Dia Nacional da Adoção. Em 2002, o projeto de lei foi sancionado pelo Presidente da República. Desde então, a data é comemorada em todo o país pelos militantes da causa, para celebrar e refletir sobre a adoção de crianças e adolescentes no Brasil.

Na escola a data pode ser trabalhada por meio de diferentes atividades, tais como, uma pesquisa sobre a adoção no Brasil, a confecção de um painel com imagens e informações sobre o tema, a exibição de um filme, de um documentário sobre adoção, a contação de uma história que tenha como foco a adoção, uma roda de conversa… Sendo estas, uma oportunidade para apresentar e refletir com os alunos sobre os diferentes tipos de família, e o direito das crianças acolhidas de usufruir o direito assegurado pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente à convivência familiar e comunitária, no seio de uma família.

Enfim, são muitas as possibilidades capazes de propiciar aos adultos (professores, pais e responsáveis e funcionários) e as crianças na escola conhecimento sobre adoção, desmistificando ideias preconcebidas sobre o tema, contribuindo assim, para a construção de uma cultura adotiva, de respeito ás diferentes constituições familiares, dentre elas, as famílias constituídas por adoção.

Gilmara Lupion Moreno

Professora universitária. Autora do livro “Desejo de ser mãe: vivendo a experiência da adoção”.

Membro do Grupo de Apoio à Adoção Trilhas do Afeto.

Email: gilmaralupion@hotmail.com>

 

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Gilmara Lupion

Gilmara Lupion

Meu nome é Gilmara. Sou grata a Deus e aos meus pais (in memorian), pelo dom da vida, pelo amor incondicional. Sou londrinense, nasci e resido em Londrina-PR. Sou casada, vivi a experiência de encontrar o meu esposo através da fé e tenho certeza de que ele foi obra de Deus em minha vida. Sou mãe por adoção de uma menina carismática e de um menino simpático, ambos ‘guerreiros’, decididos a viver, amar e ser amados, também obra de Deus em minha vida. Sou membro do Grupo de Apoio à Adoção Trilhas do Afeto. Sou Pedagoga, Professora Universitária, trabalho com a formação de professores de crianças de zero a cinco anos, pois acredito que, assim como a família, a educação infantil é fundamental nesta etapa da vida - a infância.

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