Sobre a autora

Adoção: Minha bolsa estourou de novo! Relato do meu 2º parto do coração

Muita emoção nos últimos dias. Recebi a tão esperada ligação. Na verdade foi muito esperada mas num momento inesperado! Nossa gestação durou 4 anos e 2 meses (a habilitação para adoção saiu em setembro de 2011) , porém eu tinha ido fazer uma ecografia (conversa com assistente social) no final de outubro e ela tinha me dito que poderia levar mais um ano. Dei tudo que não servia mais no meu filho mais velho, para liberar espaço na casa e acalmar meu coração. Foi então que na segunda-feira, dia 23 de novembro de 2015, eu recebi a ligação do Assistente Social. Na hora a ficha custou a cair, mas confirmei meu interesse na adoção e que queria conhecê-lo. Desliguei o telefone e tentei ligar para o meu marido que estava em aula e não me atendia. A avó paterna já estava sabendo que tinha alguma novidade pois o assistente social tinha tentado ligar no celular dela primeiro, então ela só queria confirmar o assunto. Então liguei para a minha mãe e avisei que seria avó novamente. Após uma hora finalmente consegui falar com o pai da criança!!! Ele recebeu minha mensagem dizendo que a bolsa tinha estourado e queria saber exatamente do que eu estava falando rsrsrs Perguntei se ele tava sentado e então contei, nosso filho vai nascer!!! Biológicamente ele já tinha nascido há 1 ano e 6 meses atrás, mas nós estávamos em trabalho de parto para conhecê-lo. Da ligação até o parto me senti enjoada o tempo todo. Corpo e mente em alerta e o tempo todo em oração.

Na manhã seguinte conversei com o assistente social que poderíamos ir na casa de acolhimento na quarta-feira pela manhã. Tudo certo. Não dormi neste período. Cochilei no caminho para lá. Chegando no Fóro, ansiedade a mil, aguardamos o assistente social para irmos juntos até a casa de acolhimento. Só então vimos uma foto do nosso pequeno (ecografia antes do parto). A foto preto e branco, impressa em folha comum, tinta com falhas, retratavam bem o que tinha sido até então a vida do meu filho. Um ano e meio vivendo numa casa de acolhimento, o olhar era cabisbaixo, triste. O Assistente Social nos avisou que ele era muito tímido e estranhava muito as pessoas, então teríamos que fazer a adaptação com muita calma. No caminho pedi a Deus estratégias para nos achegarmos a ele sem que se assustasse.

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Chegando no abrigo fomos recebidos pela assistente social e psicóloga da casa de acolhimento. Percebemos que o local era bem organizado, limpo e as crianças eram bem cuidadas. Esta casa de acolhimento é administrada por uma igreja e é notável a diferença de um abrigo com administração séria. Enfim, 6 pessoas na sala aguardando que a cuidadora acordasse o pequeno pois havíamos chegado na hora do soninho. Fiquei preocupada pensando que a sala cheia pudesse intimidá-lo mas entreguei nas mãos de Deus. Passaram-se uns 20 minutos de muito enjôo e ansiedade, quando finalmente a assistente social entrou no sala com ele no colo. Um gurizinho lindo, moreno dos cabelos encaracolados. 20151125_121336O mesmo olhar cabisbaixo, mas deu para perceber a doçura e o desejo de ser amado daquele pequeno ser. Meu coração se encheu de ternura. Meu marido e eu estávamos sentados no sofá, a assistente social parou na nossa frente e logo sentou numa cadeira e colocou ele no chão. Sentei no chão na frente dele e meu marido fez o mesmo. Ele ficou bem na frente do meu marido e então pouco a pouco foram interagindo. Minha amiga e psicóloga Juliana Sell nos indicou levar um presente para ele. Levamos um George de pelúcia (irmão da Peppa) acho que ele não conhecia pois não deu a mínima atenção. Então em seguida pegamos uma caixa com carrinhos e ele abriu um sorriso. Singelo e sincero. Aí começamos a interagir. Ele ficou no colo do pai. Logo foi o para o meu. Quando ameaçou chorar meu marido levantou com ele no colo e mostrou os passarinhos na janela. Ele logo se acalmou. Fizemos tudo com calma para que ele não se intimidasse.

 

O assistente social então sugeriu que fossemos para a pracinha, só nós e ele. Levamos ele no balanço, mas ele estava ainda cabisbaixo. Tava com soninho também. Nos abraçamos e fizemos uma oração agradecendo a Deus por aquele momento, o nosso parto do coração. Naquele momento o Luca nascia para nós. Dentro de nós. E nós nascíamos para ele com pai e mãe. Logo ele foi se achegando no meu colo e percebemos que o soninho tava chegando. Ele reconheceu o cheiro da mamãe, certamente o vazio que pairava no coraçãozinho dele estava sendo preenchido com o líquido aminiótico do amor do nosso parto, e assim anestesiando todas as noites que a mamãe não esteve presente. Orei a Deus para que o amor incondicional sobressaia toda a dor. O amor é paciente, tudo suporta, tudo crê, tudo espera, como diz em 1 Coríntios. Ele adormeceu no meu colo e assim selamos o nosso parto do coração. Um encontro preparado por Deus para aqueles que tem o coração aberto para o amor de uma criança independente da genética e da obrigação jurídica. Escolhemos amar incondicionalmente nossos filhos gerados no coração, e afinal, é de lá que todos deveriam nascer para tornarem-se verdadeiramente filhos. Seja bem-vindo Luca!

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Depois conto para vocês sobre a chegada em casa com o mano mais velho, apresentação aos mais chegados, adaptação entre tantas outras novidades!

Felicidade e gratidão infinita por aqui. Agora somos quatro 🙂

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Beijos com carinho,

Luciane

 

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Luciane Moreira Cruz

Luciane Moreira Cruz

Gaúcha de nascimento, inglesa de coração. Administradora por profissão, blogueira por uma causa. Venturosamente esposa do Filipe e mãe dos príncipes Noah e Luca. Fui abençoada com uma família maravilhosa e amigos preciosos. Sonhadora ao exponencial infinito. Essencialmente uma caçadora de Deus. Acredito no bem e que ele sempre vence o mal, que menos também pode ser mais e que a felicidade pode sim virar rotina. Já fui mais organizada, a maternidade me trouxe outras prioridades, mas amo etiquetas organizacionais! Possuo muita determinação e persistência para lutar pelo amor e pela justiça. Amo os animais, especialmente meu cão e fiel escudeiro Johnny e a espoleta Amora. Por aqui, compartilho as experiências vividas durante o período de gestação do coração (gravidez invisível) e sobre o universo da formação de uma família através adoção. Tenhos muitos sonhos, um deles é pelo direito que toda criança tem de viver em família recebendo amor, carinho e respeito. Outro é contribuir para uma nova cultura da adoção no meu país. Desejo que você encontre aqui apoio e que saia daqui com novas ideias. Seja sempre bem-vindo!

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