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Adoção de grupo de irmãos – Ampliando o perfil e as possibilidades de amor – Por Renata Balieiro Diniz Teixeira

Já pararam para pensar que irmãos pela adoção podem se encontrar de diversas maneiras? São muitas as possibilidades de configuração fraterna na adoção e cada situação é única, assim como a vivência de ser irmão.

Há famílias que tem um filho pela adoção e outro pela via biológica. Há outras que adotam um filho de cada vez, mas o segundo filho a chegar não necessariamente será mais novo do que o primeiro. E ainda, duas ou mais crianças, com idades diferentes, podem chegar à nova família de uma só vez e é sobre esse tipo de caso que falaremos hoje: a adoção de grupos de irmãos, sua importância e seus desafios.

Muitos pretendentes à adoção, inicialmente, buscam apenas um filho, mas a realidade nos abrigos demonstra que boa parte das crianças disponíveis possui irmãos biológicos, possivelmente, os únicos vínculos que restam a elas, já que todas as tentativas de reinserção na família de origem já foram feitas, assim como a busca pela família extensa.

A nova lei da adoção no Brasil (nº 12.010/09) prioriza a adoção de grupos de irmãos, justamente para que haja a manutenção desses laços afetivos que precedem o abrigamento. Cada caso é analisado pensando no bem estar e no melhor interesse das crianças e dos adolescentes, então quando é inevitável a separação, busca-se a colaboração das novas famílias para que possam promover encontros e contatos frequentes, contribuindo assim para a perpetuação da relação entre os irmãos.

Mas o que significa o relacionamento fraterno na vida de um indivíduo? E por que este vínculo pode ser tão importante nos casos de adoção?

Vamos começar pensando que dentro de uma família os irmãos constituem uma das relações mais duradouras e importantes ao longo da vida e que a interação com um ou mais irmãos propicia mútua socialização, execução de tarefas e atividades cooperativas e de companheirismo, assim como a possibilidade de experimentar comportamentos negativos, de agressividade e conflitos e aprender a lidar com as adversidades.

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De maneira geral, quanto mais acesso, contato e histórias compartilhadas um irmão tiver com o outro durante a infância e a adolescência, mais essa relação será significativa em sua vida. A insuficiência de cuidado dos pais pode aproximar os irmãos pela necessidade de apoio mútuo e um irmão pode usar o outro como pilar na busca pela identidade pessoal. Assim, percebemos o quanto esta relação pode ser importante para aquelas crianças e adolescentes que tiveram o poder familiar destituído, seja por negligencia, por violência ou por abandono. Neste momento em que aguardam por uma nova família, pode ser que o vínculo fraterno construído na antiga realidade adversa lhes assegure alguma referência afetiva.

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Ter um filho já é uma grande decisão para qualquer pai e/ou mãe. A adoção é sempre um recomeço que requer paciência dos pais, respeito ao tempo da criança para que pouco a pouco ela possa confiar, se apegar e construir um sentimento de pertencimento a esta nova família. E adotar mais de um filho de uma vez, envolve ainda mais questões desde a mudança na rotina, aspectos financeiros até o acolhimento de duas ou mais crianças cada uma com a sua personalidade e suas necessidades. Além disso, os papéis deverão ser ajustados, já que o mais velho, algumas vezes assume-se como o protetor do menor desde a instituição ou até antes. Assim, o período de adaptação precisa ser respeitado e vivido com calma e dedicação e a relação fraterna vai sendo moldada no contexto familiar. Por outro lado, o relacionamento com um irmão contribui para que cada criança vá desenvolvendo a percepção de que é um ser único ao mesmo tempo em que se sente parte do grupo familiar. Então, esta relação de referência anterior à adoção pode fortalecer mutuamente os irmãos que juntos irão se integrando à nova família, cada um a seu modo. Além disso, ampliar o perfil de adoção, incluindo a possibilidade de receber irmãos, reduz o tempo de espera para a adoção e se você já pensa em ter mais de um filho, a adoção de irmãos já define a formação familiar e não haverá a necessidade de iniciar outro processo, futuramente, para nova adoção.

Obviamente que esta é uma decisão que exige maturidade emocional, mudança de conceitos pré-estabelecidos e bastante reflexão. E, como tudo o que é importante na vida, envolve vivências muitas vezes deliciosas e outras tantas vezes desafiadoras!

Renata Balieiro Diniz Teixeira

Psicóloga (CRP: 04/44923)

Mestre em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem

Contato: renata.bdt@hotmail.com

Referências:

Lei nº 12.010 de 2009. Disponível em < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12010.htm> Acesso em: 21 mar. 2016.

OLIVEIRA, A. L. Família e irmãos. In: CERVENY, C. N. O. (Org.) Família e…narrativas, gênero, parentalidade, irmãos, filhos nos divórcios, genealogia, história, estrutura, violência, intervenção sistêmica, rede social. 2 ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011, p. 63-81.

SOUZA, H.P.; CASANOVA, R.P.S. Adoção e a preparação dos pretendentes: roteiro para o trabalho nos grupos preparatórios. Curitiba: Juruá, 2014.

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