Pós-parto do coração

A chegada do 2° filho – Nova estrutura familiar e a construção do vínculo afetivo

Compartilharei com vocês um pouco do nosso 1º mês de adaptação após a chegada do nosso 2º filho por adoção (estou um pouco atrasada nas postagens). Se você ainda não leu sobre o nosso parto do coração, está aqui neste post.

A chegada de um novo membro na família é como aquele brinquedo com diferentes formas geométricas que precisam ser encaixadas. Já tínhamos 3 peças encaixadas e alguns espaços vazios, chegou mais uma que estava faltando e precisamos juntos encaixá-la no lugar certo dentro do lar físico e do coração. Todos os membros da família precisam se amar, aceitar, acolher, adotar para que a harmonia reine no lar.

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Após a chegada do Luca em casa, foi necessária uma fase de adaptação de todos os membros na nova estrutura familiar. Com certeza necessária e juridicamente é chamada de Estágio de Convivência. O Luca, deixou para trás uma casa de acolhimento e a convivência com adultos e crianças que moravam com ele e passou a ter uma família. O pai deixou de ser pai de um e tornou-se pai de dois. A mãe deixou de ser mãe de um e tornou-se mãe de dois (falarei mais sobre isso). Nós como pais já tínhamos o Noah com quase 3 anos, e, com a chegada do tão esperado maninho, ele deixou de ser filho único para tornar-se o irmão mais velho. É um processo de amadurecimento para toda família, seja formada pela adoção ou não.

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O vínculo afetivo entre pai/mãe e filho é construído através de um ciclo de reciprocidade regado pelo afeto e carinho. A criança tem suas necessidades atendidas e sente-se amada e o pai/mãe sente-se realizado (a) ao satisfazer a necessidade do filho. O cuidado diário gera cumplicidade, carinho, respeito e amor. Esse assunto está além dos laços sanguíneos, tudo isso é vivido e medido na esfera do AMOR.

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“O amor que bate no peito bate também na mamadeira” Fernanda Gentil

Falando em deixar de ser mãe de um único filho para ser mãe de dois, contarei para vocês um pouco do dilema que enfrentei. Sempre sonhei em ter muitos filhos, mas nunca ninguém me falou como seria difícil a chegada de um segundo. Algumas pessoas me falaram para ter cuidado com o ciúmes do filho mais velho, mas ninguém me disse o que se passaria no meu coração de mãe. Desejei muito meus dois filhos, porém precisei sim aprender a amar dois quando eu tinha dedicação exclusiva à um. Nos primeiros dias eu sentia como se estivesse rejeitando o mais velho quando cuidava do mais novo e vice-versa. Então sempre que dava (e dá!) eu pego os dois ao mesmo tempo. Alivia minhas emoções maternais 🙂

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“O melhor lugar do mundo é dentro de um abraço.” música do Jota Quest

 

Na 1ª semana chorei muito, foram dias difíceis. Conversei com uma amiga psicóloga e ela disse que muitas mães se sentem assim com a chegada do segundo filho pois com ele também chega a culpa e o medo de não conseguir amar tanto o segundo quanto o primeiro. Segundo ela esse assunto não é muito abordado por não ser um lado tão poético da parentalidade… Mas quem passou por isso sabe que é um processo real e muito natural na vida de pais. Senti muita angústia e solidão nesse processo de nascer como mãe de dois filhos, foi sofrido, um pós-parto com pontos na alma. Mas, passando por isso tive mais facilidade para enxergar que se foi difícil para mim como mãe, que desejei e gestei por tantos anos, é compreensível que os demais membros da família também precisem de um tempo para se adaptar. Recebemos ótimos conselhos da pediatra deles e então decidimos procurar a ajuda de uma psicóloga infantil.

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Aprendendo a partilhar o pão e a vida :)

 

Nosso 1º Natal :)

Nosso 1º Natal :)

 

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Momentos da vida que não tem preço, tem VALOR! Nossos presentes de Deus :)

Nas semanas seguintes, com as emoções mais ajustadas, começamos a experimentar o coração se expandindo e amor se multiplicando. Começamos a aprender a cuidar e a amar dois filhos. Cada filho é único e você se relaciona de acordo com a personalidade e a necessidade de cada um. Muito esforço, dedicação, oração e suporte profissional para alcançar este estágio de coração ampliado. O amor do desejo e do compromisso ultrapassa as limitações humanas atingindo a esfera da emoção e é selado na alma.

Hoje posso dizer que 3+1 tornaram-se 4. Deus nos ensina a ampliar a visão do nosso coração e diz que “O amor verdadeiro lança fora todo o medo” (1 João 4:18). 

Luca, você foi muito desejado e gestado por 4 anos e 2 meses! Seja muito bem-vindo à nossa família. A cada dia que passa te amamos mais e mais.

Com amor, Mamãe, Papai & Mano

>>> Nos próximos posts contarei para vocês sobre a relação dos irmãos, família extensa, etc

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Luciane Moreira Cruz

Luciane Moreira Cruz

Gaúcha de nascimento, inglesa de coração. Administradora por profissão, blogueira por uma causa. Venturosamente esposa do Filipe e mãe dos príncipes Noah e Luca. Fui abençoada com uma família maravilhosa e amigos preciosos. Sonhadora ao exponencial infinito. Essencialmente uma caçadora de Deus. Acredito no bem e que ele sempre vence o mal, que menos também pode ser mais e que a felicidade pode sim virar rotina. Já fui mais organizada, a maternidade me trouxe outras prioridades, mas amo etiquetas organizacionais! Possuo muita determinação e persistência para lutar pelo amor e pela justiça. Amo os animais, especialmente meu cão e fiel escudeiro Johnny e a espoleta Amora. Por aqui, compartilho as experiências vividas durante o período de gestação do coração (gravidez invisível) e sobre o universo da formação de uma família através adoção. Tenhos muitos sonhos, um deles é pelo direito que toda criança tem de viver em família recebendo amor, carinho e respeito. Outro é contribuir para uma nova cultura da adoção no meu país. Desejo que você encontre aqui apoio e que saia daqui com novas ideias. Seja sempre bem-vindo!

1 Comentário

  1. janeiro 25, 2016 em 10:32 am — Responder

    Eu sempre mim emociono com a maneira que você escreve, eu também mim vejo muito na história da sua família. Parabéns pela família linda.
    P. S: eu também estou formando a minha família através da adoção, ficaria muito feliz de compartilhar a história da minha família com você é seus leitores, pois sei o quanto é gratificante pra gente conhecer histórias semelhantes as nossas.
    Se você se interessar :janielecmcm@hotmail.com

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