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3 Principais passos para o sucesso na adoção – por Heloisa Sampaio

A adoção é um processo tão lindo, onde a doação dos pais aos filhos e dos filhos aos pais é essencial para o desenvolvimento de vínculo. Diferente da gestação biológica, onde o corpo da mãe já está banhado de Oxitocina – o hormônio do amor – que é um importante facilitador de formação vinculo mãe-bebê, a gestação do coração requer construção árdua e diária de vínculos que se dá na medida em que pais e filho vão se aproximando, se conhecendo, se descobrindo, e esse investimento transforma-se em um vinculo capaz de transformar a história de uma família – o amor. Com todas as particularidades envolvidas na formação de vínculo no processo de adoção, existem 3 condições imprescindíveis para seu sucesso.

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  1. Aceitação

Gerar um filho a partir do coração é sem dúvida um processo mágico, é um investimento de amor, carinho e dedicação por alguém que está por vir. O processo é muito angustiante, pela sua própria natureza e incertezas, mas principalmente pela burocracia que atravessa a espera do tão sonhado filho. Os pais vivenciam um emaranhado de emoções e sentimentos que controlam o “ninho emocional” que receberão seus filhos. Por sua vez, a criança ao chegar à nova família, virá carregando uma bagagem de vida, pequena e importante, que já são influentes em sua psique. A origem do filho do coração tem diferenças importantes entre a gestação do filho biológico, e não é pertinente a nossa saúde psíquica negar esse fato. Negar a história e a origem de um filho, é nega-lo enquanto sujeito. Somos todos fruto da nossa história, de uma pré-história e de todas nossas possibilidades de ser, e isso nada diminui o valor da família formada pelo coração. Como diz Schettini: “Diferente é a história, não o amor. Incomuns são as circunstâncias e não o afeto.”.

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  1. Naturalidade

A adoção é uma parte marcante e decisiva na vida de uma família formada através da adoção. É um marco que faz um sujeito filho e outro pai, mãe, avôs, tios, primos (…) e isso repercute e direciona toda a história da família. Aceitá-la como um momento decisivo na vida do sujeito é o primeiro importantíssimo passo para poder lidar com naturalidade, que: “Sim, meu filho/neto/sobrinho João foi adotado”, e graças a isso, hoje ele é parte de nossa família e nós somos a família dele. Os pais estarem confiantes de que seu afeto e amor poderá auxiliar seu filho em sua adaptação e em todas as dificuldades, medos e curiosidades que está por vir, lhe dará segurança e a o sentimento de pertencimento, independente de suas origens. Esse respeito é o alimento que fortalecerá o vínculo familiar.

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  1. Respeito a História

“Os cientistas dizem que somos feitos de átomos, mas um passarinho me contou que somos feitos de histórias”. (Eduardo Galeano). Todo sujeito é constituído por história, e ela inicia antes mesmo de seu nascimento. Quando uma família sonha com um filho e o planeja, a sua história já começa a ser escrita. Ele já tem nome, uma família. Ao chegar a seu lar, a criança irá continuar a escrever essa história, que certamente será influenciada pela pequena bagagem de escritos já existentes, como também pelo “ninho psíquico” construído pelos seus pais. As direções possíveis desse enredo serão inúmeras e desta forma, igualmente como um livro, o segundo capítulo, apesar de ser uma continuação do primeiro, é sempre um mistério. Novos personagens – a família – serão integrados a história da criança e terão papel fundamental no desenrolar desta aventura. Nesta história a família será o principal porto seguro do protagonista, que irá se aventurar pela vida com a certeza de que o amor é um afeto e não sangue. Este livro irá conter uma história jamais escrita, a formação de um sujeito novo diferente de qualquer um já existente – ele é único.

Heloísa Sampaio

Psicóloga CRP 05/49813

hsampaio.psicologia@gmail.com

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Heloisa Sampaio

Heloisa Sampaio

Carioca de coração, nascida no interior de São Paulo. Apaixonada pelo ser humano e uma curiosa da adoção e seus atravessamentos. Mergulhei nesse tema ainda na Universidade, desenvolvendo pesquisas e participando do "Transformando Nós em Laços" – Grupo de Apoio à adoção. Hoje estudo e pesquiso o desenvolvimento emocional de bebês e crianças e por consequência estudo o que o ambiente necessita oferecer a eles para que seu desenvolvimento seja saudável e evolutivo.
Sou psicóloga clínica na abordagem Psicanalítica com experiência em atendimento psicoterápico com crianças, adolescentes, famílias formadas através da adoção, puérperas e adultos, com as mais diversas queixas emocionais e de comportamento. Pós-Graduanda em atenção integral à saúde materno-infantil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Membro do Grupo de estudo sobre Clínica com Bebês e Crianças – Maternelle. Membro do Grupo de estudo “Gestação, Gravidez e Desenvolvimento Infantil”.  Aprimorada em Desenvolvimento Infantil na Perspectiva Psicanalítica – Prometheus/Bauru e em Fundamentos da Psicologia Perinatal e Parental – Gerar-SP. Graduada em Psicologia pela USC. Administradora da página Parentale Psicologia no Facebook e Instagram. Voluntária da Make-A-Wish Brasil. E agora, com muita honra, colunista do site Gravidez Invisível. Muito Prazer!
 
Heloisa Sampaio – Psicóloga – CRP 05/49813
E-mail: hsampaio.psicologia@gmail.com
Telefone: (21) 99757.5453
Clínica Psicológica da Barra - Barra da Tijuca/ Rio de Janeiro
Espaço Subjetivação – Botafogo/ Rio de Janeiro.

1 Comentário

  1. abril 12, 2016 em 7:46 am — Responder

    Lindo… É exatamente assim! A adoção é uma benção e um privilégio, para aqueles que se dispõem à amar incondicionalmente! <3 Eu amo ser mão do coração! <3

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